Hoje veremos o sexto pefil da série de Espírito-santenses que deixaram nossa cidade em busca de uma vida melhor, e comprovaram a teoria: por meio dos estudos é possível conseguir mobilidade social.
Leia a seguir:
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JN! – Nome, idade e cidade onde vive:
Marcos Santos Bezerra, 32 anos. Rio de Janeiro – RJ.
JN! – Em que ano você deixou Espírito Santo? Qual era sua idade e em que situação você saiu?
MS – Saí em 1993, com 16 anos, quando fui estudar em Natal por influência de meus irmãos Júnior e Denise, que já moravam lá.
JN! – Em que momento você percebeu que ao continuar na cidade não teria condições de estudar e trabalhar? Houve esse momento ou sua saída aconteceu por outras razões?
MS – Quando vi meus irmãos passarem na ETFRN – Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte, percebi que eles teriam um futuro melhor que o meu, pois estando em Espírito Santo eu não poderia almejar muita coisa além de continuar a trabalhar com meu pai no comércio.
JN! – Conte-me um pouco sobre o seu trabalho e como você o conseguiu. Quais são as suas perspectivas?
MS – Prestei concurso público para a Marinha, e quando passei fui morar no Recife. Logo depois fui transferido para o Rio de Janeiro, onde moro há 14 anos. Aqui trabalho como operador de sonar em um navio – equipamento que identifica submarinos inimigos. Por conta do meu trabalho tenho a oportunidade de conhecer diversos países, como: Portugal, Espanha, Venezuela, Panamá, Caribe. Agora mesmo, enquanto respondo a esta entrevista, estou a caminho do Chile e depois irei para o Uruguai, onde participo de um treinamento de guerra numa operação em conjunto com a Marinha destes dois países.
JN! – Qual seu grau de instrução? Ainda estuda?
MS – Fiz Administração de Empresas, mas devido as muitas viagens, que são constantes em minha profissão, ainda não concluí o curso. Sei da importância de uma faculdade na vida de qualquer pessoa, e por isso mesmo pretendo concluir meus estudos. Apesar de ter uma vida muito confortável junto à minha esposa, não quero me acomodar e parar de estudar.
JN! – Como você imagina sua vida caso tivesse continuado em Espírito Santo?
MS – Pacata, igual a de quem ainda mora lá.
JN! – Você pensa um dia voltar a morar na cidade? Quando e por quê?
MS – Penso, sim, por causa de minha família. Mas isso seria num futuro ainda indefinido. Porém, se até lá Espírito Santo não melhorar, talvez eu tenha de abrir mão deste sonho.
JN! – O que falta para o jovem Espírito-santense?
MS – Estudo. Eles precisam ter mais informação e instrução para que pensem melhor seu futuro. Os professores têm a responsabilidade de mostrar a estes jovens a realidade do mundo aqui fora, pois na cidade grande tudo é completamente diferente. Acho que já está na hora do meu irmão, Daniel, sair de lá antes que se acomode, por exemplo.
JN! – Se a cidade lhe oferecesse as mesmas condições que hoje você tem, você a teria deixado para viver fora?
MS – Não, ficaria lá. Apesar de viver muito bem no Rio, aqui tem a questão da violência. Lá em Espírito Santo é mais tranqüilo, tem mais qualidade de vida e até mais liberdade.
JN! – Qual foi à última vez em que esteve em Espírito Santo? Qual foi a sensação de voltar à cidade?
MS – Estive lá com minha esposa em outubro do ano passado. Fui para o aniversário de familiares. A sensação é de indignação por ver a cidade cada vez mais parada. Não há futuro, fico bastante triste quando chego lá e veja a cara das pessoas, tão humildes, a espera de uma oportunidade que nunca aparece.
JN! – Você acredita que ES está melhor ou pior que quando você a deixou? Por quê?
MS – Com certeza está pior. Na época em que eu morava na cidade ela era bem melhor. Houve até um período em que parecia que ia começar a se desenvolver, mas não engrenou.
JN! – Se dependesse exclusivamente de você, o que faria para ajudar Espírito Santo?
MS – Olha, faria muita coisa. A começar por não beneficiar minha família. Investiria na educação, na saúde, que são áreas essenciais. Depois procuraria criar meios para o desenvolvimento da cidade, e com isso criar empregos e renda para o povo. Também faria um trabalho de resgate da cultura de nossa cidade, que se acabou. Hoje em dia não vemos mais aqueles desfiles de 7 de setembro tão bonitos, as danças folclóricas… Para a festa de janeiro faria uma infraestrutura melhor, pois entra muito dinheiro na cidade nesta época.
JN! – Comparando sua condição de vida com a de seus parentes que ainda vivem em ES, quem você acredita estar melhor? E por que?
MS – É diferente dizer quem vive melhor, pois aqui é uma cidade cara. Ganhamos mais, porém gastamos muito. Já em Espírito Santo o custo de vida é menor.
JN! – Que pergunta você gostaria que lhe fosse feita e eu não fiz?
MS – Se tem alguém em quem eu me espelho para crescer.
JN! – E você tem esta pessoa? Quem é?
MS – Tenho sim. São meus pais e irmãos. Todos eles são trabalhadores e estão buscando seus objetivos sem depender ou esperar por ninguém. Aprendi muito na vida com meu pai, Manoel Inácio, e minha irmã, Denise, que são comerciantes desde sempre. Por conta disto, mesmo tendo uma carreira na Marinha, minha esposa e eu mantemos comércios aqui no Rio. Minha esposa, aliás, que é uma mulher guerreira e determinada, de dona de casa transformou-se numa empresária. Ela me mostrou com seu exemplo que somos capazes de conseguir o que queremos, para isso basta acreditar. Estou aprendendo com ela a cada dia para ser um grande homem.